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		<title>Os outros moradores da Graça</title>
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		<pubDate>Fri, 31 Aug 2007 03:33:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Soteropolitanos</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><img style="float:right;cursor:hand;margin:0 0 10px 10px;" src="http://bp3.blogger.com/_973wIKk3WZc/RitzN76TXsI/AAAAAAAAAOQ/z5ndYqaQsHs/s320/IMGA0051.jpg" border="0" alt="" /><br />
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<p style="text-align:justify;"><span style="color:#993300;"> </span><span style="color:#993300;"><span style="color:#000000;">por Tiara Rubim</span><span style="color:#000000;"> </span></span><span style="color:#993300;"> </span><span style="color:#993300;"> </span></p>
<p style="text-align:justify;">O grande executivo e o pedinte não se conhecem, participam de realidades opostas e possuem objetivos diferentes, mas têm algo em comum. Ambos moradores da Graça, questionam melhorias nas ruas no que diz respeito à segurança, limpeza e convergem na felicidade de considerar este um bom lugar para se viver. No entanto, se distanciam pelas suas moradias: prédios luxuosos e apartamentos bem decorados contrastam com o papelão usado para forrar o chão, a cama daqueles que dormem na rua. Sentados no meio fio, deitados em bancos de praça, essa parcela da população assiste de perto a desigualdade que compõe o cenário do bairro.<span id="more-36"></span></p>
<p style="text-align:justify;">A família de Beatriz Souza da Cruz, 27, mora em uma casa em Valença. Bia, como gosta de ser chamada, veio para Salvador por causa de um homem. Portadora do vírus HIV, se apaixonou e teve dois filhos: Erick, de 3 anos e Emerson, de 5 anos. Ambos são também portadores da doença, moram na Casa de Convivência do Bonocô e estudam na creche do próprio lugar. Seu marido tomava conta dos carros dos barões na rua, mas foi morto ao tentar reagir ao roubo de um dos veículos. Logo quando chegou à cidade, Bia morava na Praça do Aquidabã. Veio para a Graça porque brigou com um rapaz que lhe furou com uma garrafa e hoje circula pelo bairro e redondezas: Vitória e Campo Grande. “Depois da garrafada, queimei ele. Fiquei com medo e fugi para o centro”, complementa.</p>
<p style="text-align:justify;">O bairro também é tido como refúgio para Luciana Souza Santos, a Boneca Tchuck, apelido dado pelos amigos. Mora no bairro há 6 meses e antes disso vivia no Comércio, “entre os moleques que compravam e distribuíam o crack”. Alegou que se continuasse por lá com certeza não estaria viva. Ao mesmo tempo em que trança o cabelo de uma de suas amigas, fica observando os carros que chegam para estacionar. Larga tudo que está fazendo, corre e grita com muita intimidade com a senhora que acabava de soltar de um Vectra: “Ô minha lôra, venha cá, dê um trocado pra sua boneca, pode deixar aqui que eu tomo conta!”. É com esta simpatia e com um sorriso estampado no rosto que ganha seus trocados.</p>
<p style="text-align:justify;">Segundo a pernambucana Luciana Amaral da Silva, 30, o problema de Salvador é a violência. “Assisto brigas entre jovens barãozinhos e meninos de rua. Tudo é motivo pra querer dar pedrada ou facada”, conta ela deitada no canto da calçada. Defensora da liberdade, Luciana tem uma irmã que mora no Vale das Pedrinhas e uma filha, também com residência fixa no Pelourinho. Ainda assim prefere ficar na rua, pois não gosta de se sentir presa. “As pessoas têm que poder circular tranqüilamente, com segurança, sem medo de ser assaltado ou machucado”, afirma, relatando ainda que a polícia muitas vezes espanca sem motivo aqueles que moram nas ruas.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Indiferença</strong></p>
<p style="text-align:justify;">A Associação de Moradores da Graça (AMOGRAÇA) não oferece nada na esfera social para os mendigos que moram no próprio bairro, embora participe da Campanha Graça Solidária, desenvolvida pela Igreja da Graça, para arrecadar alimentos não perecíveis e roupas que são doadas a comunidades periféricas.Alguns moradores, como Flávio de Paula, presidente da AMOGRAÇA, parecem não enxergar os mendigos em algumas ruas do bairro, mas eles estão por toda parte: deitados na calçada de ruas como a Teixeira Leal, Euclides da Cunha; na frente de prédios luxuosos, como a Mansão Bernardo Martins Catarino, na Rua da Graça; sentados nos bancos do Largo da Graça e encostados na porta de estabelecimentos, como a Frio Gostoso, à espera de um pouco de comida.</p>
<p style="text-align:justify;">Em contraposição, Paula já foi à Prefeitura tratar do assunto: “Quis interferir, questionei a presença dos mendigos na Graça, se algo poderia ser feito para tirá-los de lá, mas o retorno que tive é que a rua é pública eles também são moradores dela. A própria Prefeitura cuidaria disso, através de seus órgãos municipais”, salienta.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Auxílio</strong><br />
Entretanto, existem pessoas que os ajudam e orientam. São informações sobre saúde, emprego, família e até educação. Solange Pinho, 52, médica psiquiatra, é uma dessas voluntárias. “Vez por outra forneço solicitações de exames pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para investigar doenças sexualmente transmissíveis e até mesmo uma gravidez”, afirma. A psiquiatra enfatiza que o importante é despertar nesses jovens idéias de atividades que eles possam desenvolver e ter algum retorno financeiro, ainda que bem pequeno. “Eles podem vender picolé, trabalhar em casa de família, fazer pequenos biscates. O objetivo é que com uma ocupação, seja possível, evitar o caminho do furto, roubo, assaltos e drogas”.</p>
<p style="text-align:justify;">Mesmo morando na rua e expostos a um futuro incerto, existem aqueles que têm uma perspectiva de que a realidade pode ser melhorada. Não só de pedir esmolas, Simone Epaminondas dos Santos, 26, tentou ganhar a vida. “Já tentei trabalho, mas oportunidade falta para quem quer, para quem não teve escola”, enfatiza. Hoje, ela ainda pensa em ter um emprego no qual possa se manter e sustentar suas duas filhas: Suelem, de 6 anos, e Açucena, de 10.<br />
(junho de 2005)</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/soteropolitanosdagraca.wordpress.com/36/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/soteropolitanosdagraca.wordpress.com/36/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/soteropolitanosdagraca.wordpress.com/36/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/soteropolitanosdagraca.wordpress.com/36/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/soteropolitanosdagraca.wordpress.com/36/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/soteropolitanosdagraca.wordpress.com/36/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/soteropolitanosdagraca.wordpress.com/36/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/soteropolitanosdagraca.wordpress.com/36/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/soteropolitanosdagraca.wordpress.com/36/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/soteropolitanosdagraca.wordpress.com/36/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/soteropolitanosdagraca.wordpress.com/36/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/soteropolitanosdagraca.wordpress.com/36/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/soteropolitanosdagraca.wordpress.com/36/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/soteropolitanosdagraca.wordpress.com/36/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/soteropolitanosdagraca.wordpress.com/36/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/soteropolitanosdagraca.wordpress.com/36/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=soteropolitanosdagraca.wordpress.com&amp;blog=1555259&amp;post=36&amp;subd=soteropolitanosdagraca&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Tradição e modernidade</title>
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		<pubDate>Fri, 31 Aug 2007 03:32:54 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[por Mariana Riccio Franco A Graça sempre foi considerada um bairro tradicional de Salvador. Mas com o passar dos anos e o desenvolvimento da cidade, o bairro foi perdendo um pouco do lado residencial e tomando um aspecto comercial. Para os moradores antigos e alguns comerciantes, que viram a Graça sofrer transformações, é assustadora essa [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=soteropolitanosdagraca.wordpress.com&amp;blog=1555259&amp;post=35&amp;subd=soteropolitanosdagraca&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color:#993300;"><span style="color:#000000;"><img src="http://soteropolitanosdagraca.files.wordpress.com/2007/08/vultos.jpg?w=594" alt="vultos.jpg" /></span></span></p>
<p><span style="color:#993300;"><span style="color:#000000;">por Mariana Riccio Franco</span></span></p>
<p><span style="color:#993300;"><span style="color:#000000;"> </span></span></p>
<p><span style="color:#993300;"><span style="color:#000000;">A Graça sempre foi considerada um bairro tradicional de Salvador. Mas com o passar dos anos e o desenvolvimento da cidade, o bairro foi perdendo um pouco do lado residencial e tomando um aspecto comercial. Para os moradores antigos e alguns comerciantes, que viram a Graça sofrer transformações, é assustadora essa mudança, mas para os novos moradores e para outros empreendedores isso é só a marca da modernização.<span id="more-35"></span></span></span></p>
<p><span style="color:#993300;"><span style="color:#000000;"> </span></span><span style="color:#993300;"><span style="color:#000000;"> </span></span><span style="color:#993300;"> </span></p>
<p>Alizia Viana do Bonfim, 63 anos, é dona da primeira banca de revista da região, que funciona há 53 anos entre o Largo da Vitória e o início da Graça. Desde os 10 anos de idade ela está lá acompanhando o desenvolvimento do bairro. “A Graça era mato, só tinha casarões antigos e bonde”, lembra, frisando que há uns 20 anos atrás que era uma época boa. A única opção de compra de revistas, jornais, folhetins e cigarro era o seu estabelecimento, que ficava 24h aberto, mas hoje, com tantas bancas, já não se tem tanto lucro assim. “Só aqui na Rua da Graça são quatro bancas de revistas, imagine no resto do bairro?”, comenta com um olhar de tristeza.</p>
<p>O presidente da Associação de Moradores da Graça (AmoGraça), Flavio de Paula, afirma ser contra esse desenvolvimento todo na Graça. Ele disse que isso desvaloriza o bairro e que este acaba por perder sua principal característica, que é a tranqüilidade de um bairro residencial. “Nós já fizemos interferências junto à prefeitura para que não conceda alvarás para o bairro não perder sua identidade”, explica ele, se referindo a liberação de alvarás para novas lojas, com uma expressão de que não adianta se manifestar: “As tendências são essas, daqui a pouco não vai existir um local sem comércio e tudo vai se tornar uma zona”.</p>
<p>Mas nem todos são contra as mudanças que estão acontecendo na Graça. “A loja do Frio Gostoso começou aqui na Rua da Graça com uma portinha, quase não se tinha comércio aqui perto. A chegada de uma sorveteria mais luxuosa agradou muito os moradores”, comentou o funcionário Edisío Conceição Almeida, 38 anos, que trabalha há 10 anos no estabelecimento. A loja, que já tem 22 anos, está funcionando na Rua da Graça há 15 e tem dois anos no espaço atual, mantém um público fiel. “O Frio Gostoso antigamente funcionava logo aqui ao lado. Nesse espaço já funcionou uma pizzaria, depois uma lanchonete e uma chopperia, se tornando agora a sorveteria, que antes tinha um ar rústico e hoje possui um ar mais moderno”, falou o gerente Vanildo Lima, 33 anos, que também é funcionário há 10 anos.</p>
<p>“Nada melhor do conforto de só precisar descer a esquina e comprar um pão fresquinho. Só de pensar em ter que ir a outro bairro comprar pão me dá desânimo, prefiro dormir com fome”, disse a estudante Maria Luisa Florence, 15 anos. Ela afirma que é muito mais tranqüilo poder contar com shoppings, lanchonetes e padarias perto de casa, e a idéia de que o bairro está perdendo suas características originais não compensa o desgaste de sair do bairro para comprar algo. “É normal as pessoas evoluírem, quem dirá um bairro. Tudo muda sempre, por que com a Graça seria diferente?”, pergunta a estudante.</p>
<p>A divergência de opiniões sobre essa mudança de bairro tradicional para comercial é notável em quase todos os ambientes freqüentados na Graça. Algumas pessoas acham que é possível manter o aspecto tradicional do bairro mesmo com o comércio se expandindo, tentar fazer o antigo conviver com o moderno, trazendo assim harmonia e agradando a todos. Outros, entretanto, não consideram essa possibilidade viável. A expansão do comercio acabaria com o modo antigo e conservador da Graça.<br />
(junho de 2005)</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/soteropolitanosdagraca.wordpress.com/35/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/soteropolitanosdagraca.wordpress.com/35/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/soteropolitanosdagraca.wordpress.com/35/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/soteropolitanosdagraca.wordpress.com/35/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/soteropolitanosdagraca.wordpress.com/35/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/soteropolitanosdagraca.wordpress.com/35/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/soteropolitanosdagraca.wordpress.com/35/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/soteropolitanosdagraca.wordpress.com/35/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/soteropolitanosdagraca.wordpress.com/35/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/soteropolitanosdagraca.wordpress.com/35/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/soteropolitanosdagraca.wordpress.com/35/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/soteropolitanosdagraca.wordpress.com/35/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/soteropolitanosdagraca.wordpress.com/35/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/soteropolitanosdagraca.wordpress.com/35/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/soteropolitanosdagraca.wordpress.com/35/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/soteropolitanosdagraca.wordpress.com/35/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=soteropolitanosdagraca.wordpress.com&amp;blog=1555259&amp;post=35&amp;subd=soteropolitanosdagraca&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Sob o olhar da Igreja</title>
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		<pubDate>Fri, 31 Aug 2007 03:31:52 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[por Sheila de Andrade Ao lado do Largo da Graça, grades de ferro e escadarias laterais confluem para sua entrada principal. Ela se apresenta em branco e pastel e de portas verdes. Um portal de madeira trabalhada leva os visitantes a atravessar o estreito corredor, limitado pelos tradicionais bancos. A Igreja se revela numa estrutura [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=soteropolitanosdagraca.wordpress.com&amp;blog=1555259&amp;post=34&amp;subd=soteropolitanosdagraca&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color:#993300;"><span style="color:#000000;"><img src="http://soteropolitanosdagraca.files.wordpress.com/2007/08/predios.jpg?w=594" alt="predios.jpg" /></span></span></p>
<p><span style="color:#993300;"><span style="color:#000000;">por Sheila de Andrade</span></span></p>
<p><span style="color:#993300;"><span style="color:#000000;"> </span></span></p>
<p><span style="color:#993300;"><span style="color:#000000;">Ao lado do Largo da Graça, grades de ferro e escadarias laterais confluem para sua entrada principal. Ela se apresenta em branco e pastel e de portas verdes. Um portal de madeira trabalhada leva os visitantes a atravessar o estreito corredor, limitado pelos tradicionais bancos. A Igreja se revela numa estrutura pequena, porém rica em detalhes. No teto, a pintura da imagem de Catharina Paraguassu e seu sonho. No chão, misturados ao piso, lápides de famílias inteiras, inclusive os restos mortais da famosa índia. No altar, grandes pilastras da cor de ouro e com santos na base, revelam, ao fundo, Nossa Senhora da Graça.<span id="more-34"></span></span></span></p>
<p><span style="color:#993300;"><span style="color:#000000;"> </span></span><span style="color:#993300;"><span style="color:#000000;"> </span></span><span style="color:#993300;"></span></p>
<p>Não se pode falar da Igreja de N. Sra. da Graça sem fazer um paralelo com a história de Catharina Álvares Paraguassu. Ela foi a responsável pelo que hoje representa essa Igreja. Já casada com o náufrago português Diogo Álvares Correia, apelidado Caramuru pelos tupinambás, começou a ter sonhos freqüentes com uma senhora carregando seu filho, pedindo que ela a buscasse. A índia tupinambá pediu ao marido que a procurasse. Ele encontrou uma imagem de madeira que havia boiado até a praia e estava em posse de índios. Levando-a, Catharina reconheceu a mulher e mandou construir um pequeno oratório numa tenda de madeira e palha.</p>
<p>Segundo a historiadora Simone Pinho Lima, de 50 anos, isso teria ocorrido por volta de 1535. “A construção era uma capela bem pequena chamada Morada e Oratória de N. Sra. da Graça, feita para Catharina”, afirmou. A estrutura que chamava atenção naquela época, hoje se encontra perdida aos olhos de quem tem pressa. Muitas pessoas que descem no ponto de ônibus próximo à Igreja, sequer olham para ela. Após a morte da índia, a capela e as terras próximas foram deixadas para a ordem dos beneditinos na década de 1580. A área herdada era grande e os moradores costumam dizer que não se sabe ao certo se a Igreja da Graça faz parte do Mosteiro de São Bento ou se é o inverso, mas a instituição é submissa a ele.</p>
<p>De acordo com Flávio de Paula, presidente da Associação de Moradores da Graça (AMOGRAÇA), a Igreja tem um papel importante tanto no povoamento do bairro como para a formação do povo brasileiro. “Os primeiros casamentos oficiais dos portugueses com as filhas de Diogo e Paraguassu foram realizados na capela. A família brasileira começou aqui”, comentou orgulhoso. Alguns moradores não conseguem assistir à missa, então passam rapidamente na Igreja, a caminho do trabalho para fazer uma breve oração. “Não dá tempo, a gente tem que trabalhar. É a vida”, disse apressada Marlene Sampaio, 45 anos, vendedora. Outros moradores dispõem de mais tempo como o aposentado Odimar Gomes, 69 anos: “Aqui encontro paz e tranqüilidade. Encontro forças para superar os problemas do dia a dia”, disse enquanto esperava a missa das 7h da manhã.<br />
<strong><br />
O bairro</strong><br />
O povoamento da Graça foi lento e só no começo do século XX o bairro foi urbanizado. Simone afirma que tudo indica que aquela capela, hoje substituída no mesmo lugar por uma estrutura maior, tenha representado a primeira devoção a Maria na América Latina. “Foi ao redor da Igreja que se desenvolveu o núcleo para a formação do bairro. No começo eram apenas chácaras e, posteriormente, pela distância do centro e com o status nobre que adquiriu, as famílias mais ricas começaram a se estabelecer aqui”, explicou a historiadora. Norma Seixas, já na terceira idade, salientou um aspecto que para ela é fundamental: “Na Igreja se tem uma consciência da família de uma forma maior. Ela abrange toda a comunidade do bairro”.</p>
<p>Atualmente a Igreja, além de exercer o papel religioso e social que lhe é tradicional, também permite que a AMOGRAÇA faça suas reuniões numa sala, já que não possui sede própria. A associação cuida dos interesses do bairro, o que inclui preservar a Igreja, e as estruturas que a compõe. “Já interferimos junto a Prefeitura para serem retirados postes e refletores que empatavam a visualização dela e conseguimos”, disse Flávio de Paula. Existe uma reciprocidade nessa ajuda, uma vez que os moradores apóiam os trabalhos desenvolvidos na instituição, como a Campanha Graça Solidária.</p>
<p><strong>Solidariedade</strong><br />
Esse projeto é desenvolvido pelo Padre D. Bernardo Lucas, de 75 anos, e coordenado pelo presidente da AMOGRAÇA, Flávio, o que garante, indiretamente, a participação do grupo. A Campanha Graça Solidária consiste em arrecadações de alimentos não perecíveis, roupas e brinquedos em bom estado, para as dez entidades periféricas cadastradas como creches e asilos. “Quando não alcançamos o suficiente para suprir essas necessidades, fazemos brechós e bingos”, esclarece o coordenador.</p>
<p>Arnaldo Peixoto, 23 anos, secretário da igreja, disse que, embora raros, existem pedintes, principalmente aos domingos. “Eles ficam lá embaixo pedindo esmola, porque aqui dentro não é permitido”, afirmou. De acordo com ele, poucos fiéis assistem à missa durante a semana e talvez por saberem disso, esses pedintes não apareçam. Arnaldo chamou ainda atenção para o fato de apenas 20% de jovens comparecerem à igreja nos fins de semana, quando ela fica cheia. “Num bairro nobre muitos deles têm dinheiro e procuram se dedicar ao lazer em vez de participar de uma celebração”, disse.</p>
<p>A importância da Igreja da Graça para o Brasil e para o bairro fica muito clara. Ela existiu antes mesmo da fundação da cidade de Salvador e foi um dos motivos que levou Caramuru e Catharina a se mudarem do local que hoje representa a Barra. A instituição é testemunha histórica da transformação do pequeno e insignificante povoamento ao seu redor, em um bairro nobre da cidade. A Igreja permanece atuante até hoje e as missas do Padre D. Bernardo Lucas ocorrem de segunda a sábado às 7h e aos domingos às 8h e 19h.<br />
(junho de 2005)</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Tempero francês na Bahia</title>
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		<pubDate>Fri, 31 Aug 2007 03:31:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Soteropolitanos</dc:creator>
				<category><![CDATA[PERFIS]]></category>

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		<description><![CDATA[por Tiara Rubim Há uma cena freqüente na culinária nacional: é o restaurante francês no imaginário das pessoas como um lugar chique, pequeno, caro e apenas reservado a ocasiões especiais. Com um sorriso sereno e simpático, Bernard nega este estereótipo com a maior de todas as convicções que lhe é garantida graças a sua relevância [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=soteropolitanosdagraca.wordpress.com&amp;blog=1555259&amp;post=33&amp;subd=soteropolitanosdagraca&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color:#993300;"><span style="color:#000000;">por Tiara Rubim</span></span><span style="color:#993300;"><span style="color:#000000;"></p>
<p align="justify">Há uma cena freqüente na culinária nacional: é o restaurante francês no imaginário das pessoas como um lugar chique, pequeno, caro e apenas reservado a ocasiões especiais. Com um sorriso sereno e simpático, Bernard nega este estereótipo com a maior de todas as convicções que lhe é garantida graças a sua relevância para a cozinha da cidade.<span id="more-33"></span></p>
<p align="justify">Formado pela Escola Hoteleira de Paris, veio para Salvador em 1958 a passeio. Acabou gostando da terra, casou-se, teve filhos e fez novos amigos. Morador da Graça, é conhecidíssimo não só entre os vizinhos como também entre todos os soteropolitanos. Bernard considera este um bom lugar para viver, pois encontra no bairro e nas suas redondezas, a maioria dos ingredientes que precisa para preparar suas iguarias. Chefe de cozinha, e fundador de dois restaurantes franceses em Salvador, seu nome inspira qualidade e confiança.</p>
<p align="justify">Nascido em Eoubaix, cidade francesa, no dia 17 de Setembro de 1933, Bernard Lêon Pierre Goethals foi para Paris com quatro anos e lá passou maior parte de sua vida. O Chef de cozinha não teve influências familiares na sua profissão. Sua mãe Elaine Weil, era dona de uma boutique, com roupas que ora eram compradas, ora eram fabricadas por ela mesma; já seu pai, Pierre Goethals era um boêmio, um playboy como seu próprio filho o caracteriza.</p>
<p align="justify">Em 1958, quando chegou à cidade, conheceu no Hotel da Bahia (estabelecimento que tinha contato e que na época o dono também era um francês), um outro conterrâneo, Gerard Louzier. Ele possuía uma casa no Nordeste de Amaralina, que mais tarde passara a dividir com Bernard. Tornaram-se muito amigos e mantêm contato até os dias atuais. Hoje, seu grande amigo Gerard tornou-se cineasta e voltou à Paris.</p>
<p align="justify">Quando Bernard chegou em Salvador só existiam outros dois restaurantes franceses: o Chez Bouillon e o Madame Suzart. Em 1963, criou o Chez Bernard, um dos restaurantes mais famosos da cidade. “Fiquei lá até 1976, depois passei a direção para meu concunhado e ele continua funcionando normalmente”, acrescenta o Chef satisfeito. Em 1979, já casado, viajou para São Paulo e passou 19 anos por lá. Retornou em 1997, e em 1998 criou outro restaurante, o Bernard Prestigi. Esse, por sua vez foi fechado. O Chef Bernard deixou o bistrô na mão de um sócio que vendera a um jovem francês, Marc Le Dantec , Chef do restaurante Galpão.</p>
<p align="justify">Preferiu então, mudar de ramo, sem deixar de lado seu maior prazer e habilidade: a culinária. “Decidi parar de trabalhar com restaurantes e comecei a lecionar gastronomia. É mais tranqüilo. Restaurante é muito trabalhoso”, afirma com seu sotaque inconfundível. Quando cuidava dos negócios, Bernard tinha que orientar os funcionários, fazer a administração, incluindo contas, pagamentos, contrato de empregado e outras coisas. Na cozinha, ficava na parte técnica, principalmente na produção do cardápio.</p>
<p align="justify">As bases das receitas do Chef Bernard são da Escola Hoteleira de Paris, mas, “atualmente, com a globalização, tudo isso mudou. Hoje se tem muita influência de diversas culinárias, inclusive a da asiática”, complementa. Fundada por ele há dois anos, a Escola Saveur, nome francês que significa sabor e que também titula uma revista francesa de culinária, oferece dois módulos de estudo, cada um com quatro aulas: o primeiro é o curso básico, para quem é totalmente leigo. E o segundo, destinado aos amantes dos molhos franceses.<br />
Entre seus mais requisitados pratos o Steak aux trois poivres, filé mignon com molho de pimenta; e o Quiche Loraine, torta com recheio de ovos, queijo, bacon e leite. Para acompanhar alguma comida grelhada, o Chef Bernard aconselha um molho clássico da culinária francesa: o Source Bearnaise, emulsão a base de uma redução de vinagre de vinho, gema de ovo e manteiga, perfumado com estragon.</p>
<p align="justify">Bernard é encantado pelas peculiaridades da Bahia. Segundo ele os hábitos alimentares dos baianos são interessantíssimos. “Aqui foi o único do lugar do mundo que já vi as pessoas dividirem o prato. Eles pediam para que dividíssemos e já levássemos pronto para a mesa as duas porções. Engraçado, não é? O problema é que assim o prato perde toda a sua beleza, e isso para a nossa culinária é muito importante”. Outro fato que destaca é que sempre pediam um pouco de farinha, pimenta ou arroz para acompanhar a comida, alega ainda que sua filha é uma das que possui esse hábito: “ela só come com arroz”, acrescenta sorrindo. Salienta ainda, que, normalmente, os clientes levam o vinho para ser servido.</p>
<p align="justify">Hoje, feliz com seu novo lar, já está habituado à comida baiana. Na sua cozinha, alterna pitadas de dendê e de leite de côco com o seu tempero francês. “Me acostumei com a comida caseira desta terra, com a “farofinha” daqui. Costumo sempre misturá-la a moqueca e à carne frita, mas não com culinária francesa”, enfatiza novamente ainda risonho.</p>
<p align="justify">A Escola Saveur localiza-se na Rua Alameda Antunes, Barra e o telefone para contato é o 3264-7606. Normalmente as aulas são dadas às terças e quintas à noite e, a depender da demanda de alunos, a partir das 19h. Já o restaurante Chez Bernard, fica na Rua Gamboa de Cima, 11, Aflitos e o telefone para contato é o 3329-5403. Funciona das 12h às 15h e das 19h às 0h (de segunda a quinta); das 12h às 15h e das 19h às 1h30 (na sexta); e das 19h às 1h30 (no sábado).</p>
<p></span></span></p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/soteropolitanosdagraca.wordpress.com/33/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/soteropolitanosdagraca.wordpress.com/33/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/soteropolitanosdagraca.wordpress.com/33/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/soteropolitanosdagraca.wordpress.com/33/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/soteropolitanosdagraca.wordpress.com/33/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/soteropolitanosdagraca.wordpress.com/33/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/soteropolitanosdagraca.wordpress.com/33/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/soteropolitanosdagraca.wordpress.com/33/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/soteropolitanosdagraca.wordpress.com/33/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/soteropolitanosdagraca.wordpress.com/33/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/soteropolitanosdagraca.wordpress.com/33/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/soteropolitanosdagraca.wordpress.com/33/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/soteropolitanosdagraca.wordpress.com/33/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/soteropolitanosdagraca.wordpress.com/33/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/soteropolitanosdagraca.wordpress.com/33/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/soteropolitanosdagraca.wordpress.com/33/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=soteropolitanosdagraca.wordpress.com&amp;blog=1555259&amp;post=33&amp;subd=soteropolitanosdagraca&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Sobrevivência lícita</title>
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		<pubDate>Fri, 31 Aug 2007 03:30:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Soteropolitanos</dc:creator>
				<category><![CDATA[ECONOMIA]]></category>

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		<description><![CDATA[por Sheila de Andrade Bananas, mamões, melões e abacaxis dependurados. Caquis, laranjas, tangerinas e pêras vendidas à unidade. A dificuldade de conseguir se inserir no mercado de trabalho tem levado muitas pessoas a optarem por outras formas de renda como o comércio. Atualmente, existem cerca de seis mil ambulantes ilegais em atividade, o mesmo número [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=soteropolitanosdagraca.wordpress.com&amp;blog=1555259&amp;post=32&amp;subd=soteropolitanosdagraca&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify"><img src="http://soteropolitanosdagraca.files.wordpress.com/2007/10/campo-grande2.jpg?w=594" alt="campo-grande2.jpg" /></p>
<p>por Sheila de Andrade</p>
<p align="justify">Bananas, mamões, melões e abacaxis dependurados. Caquis, laranjas, tangerinas e pêras vendidas à unidade. A dificuldade de conseguir se inserir no mercado de trabalho tem levado muitas pessoas a optarem por outras formas de renda como o comércio. Atualmente, existem cerca de seis mil ambulantes ilegais em atividade, o mesmo número dos que trabalham licenciados, segundo o levantamento da Secretaria Municipal de Serviços Públicos (Sesp). A maioria se concentra no centro da cidade, mas já é possível encontrar vendedores de frutas em cada bairro da cidade, como na Graça, Vitória e Canela.<span id="more-32"></span></p>
<p align="justify">O comércio de frutas é o sustento de muitas famílias em Salvador e também uma opção para o consumidor, que não depende exclusivamente dos produtos de supermercados. “Melhor comprar aqui do que no Bompreço. Aqui a gente pega o que quer e lá vem tudo em pratinhos e é caro também”, disse Lúcia dos Santos, cozinheira. Todos os comerciantes compram no posto da CEASA (Central de Abastecimento de Salvador) na Rodovia CIA/Aeroporto, a 13 km do Aeroporto Internacional Deputado Luís Eduardo Magalhães, onde é mais barato, e alguns ainda vão à Feira de São Joaquim.</p>
<p align="justify">Geralmente, os barraqueiros começam sua atividade ilicitamente ou em outras áreas de venda. Maria José de Jesus, 42 anos, trabalha há 10 anos vendendo frutas na Barraca do Coco da rua Augusto Viana, onde fica o Palácio da Reitoria. Ela começou como ambulante, mas, devido a casos envolvendo o rapa, decidiu investir num ponto fixo de venda. Já vendeu revistas próximo à Casa d’Itália e ao Hospital Português. Lia, como é conhecida, mora na Garibaldi, chega no Canela às 7h e sai às 19h ou 20h, de segunda a sábado, para garantir seu sustento. Sua situação é mais cômoda do que a de Sandoval Silva, 34 anos, que mora em Lauro de Freitas e paga aluguel da barraca.</p>
<p align="justify">A grande vantagem dessas barracas em cada bairro é que elas criam um público cativo, até mesmo de fora da área onde está instalada. Os barraqueiros atribuem a formação dessa clientela à qualidade dos produtos e ao tratamento dado às pessoas que chegam. “Se eu chego aqui e eu trato bem, você volta. Algumas pessoas que vêm de fora, depois de um tempo, voltam pra comprar aqui. Nunca discuti com ninguém”, disse Lia.</p>
<p align="justify">A única barraca de frutas presente no corredor da Vitória pertence a Leonardo Ferreira que trabalha nesse setor a mais de 25 anos. Já trabalhou em vários lugares e hoje disputa com a delicatessen próxima. “Aqui vende bastante. Sustenta bem eu, meu irmão e meus pais”, afirma Leonardo Ferreira Júnior, 17 anos, estudante. Quando Elias Nascimento de Souza comprou sua barraca ela já estava localizada na rua Marechal Floriano, no Canela. Morador do São João do Cabresto, na Suburbana, ele divide seu tempo entre o bar que tem e as frutas para aumentar a renda da família.</p>
<p align="justify">O fluxo de pessoas devido às instituições educativas, residências, pontos de ônibus e casas de espetáculo, também contribuem para uma renda significativa. “Trabalho todos os dias, até domingos e feriados. Se a gente sobrevive assim? Tem que trabalhar. Através disso que comprei a minha casa”, revelou Jusimária Pereira dos Santos, 24 anos, mãe de Clarice e dona da barraca ao lado da Escola de Teatro da UFBA. O dinheiro conseguido através do trabalho lícito, também tem proporcionado o retorno aos estudos de muitos barraqueiros. Jusimária faz cursinho pré-vestibular e sua filha já está na escola. No entanto, para Margarida Peixoto, 50 anos, com a barraca na Graça, a situação não é tão agradável: “A despesa é muita e o lucro é baixo se a gente for comparar. Se não extrapolar saindo pra comer fora, por exemplo, dá pra levar”.</p>
<p align="justify">Segundo Margarida, todo ano as barracas devem ser pintadas, não podem estar avariadas e nem seus produtos devem sair dos limites do estabelecimento comercial. José Ramos de Jesus, 46 anos, agente de fiscalização, esclarece que existe uma padronização apenas para dois tipos de barracas: as cinzas para diversos produtos e as verdes para as de frutas. De acordo com ele a fiscalização é feita da mesma forma em todos os bairros.</p>
<p align="justify">Lia acha errado vender no meio do caminho, atrapalhando as pessoas. Mas quando estão fora dele, fazendo isso apenas para sobreviver, acha uma injustiça tomarem. “Tem gente que compra fiado pra pagar depois. Infelizmente não tem mais trabalho, a única solução que têm é vender alguma coisa na rua como ambulante”, disse chateada. Ela não aceita o que eles fazem, porque ao invés de organizar, acabam provocando bagunça. “Depois de João Henrique, eles estão mais humanos. Antes tinha um caminhão enorme que levava tudo”, afirmou.</p>
<p align="justify">A Sesp orienta as pessoas para que façam o requerimento do licenciamento para legitimar a venda nos locais. Segundo Ramos, o requerente deve seguir os seguintes passos: pedir na prefeitura o formulário de licenciamento para ambulante, preencher os dados colocando o local desejado e anexar xerox da identidade, CPF e comprovante de renda. Depois ir ao banco e pagar a taxa de R$6,30 e será dada entrada no processo. A partir daí, os fiscais da Sesp fazem a vistoria do lugar pedido para avaliar as condições de ceder a barraca. “A Sesp e Prefeitura desconhecem o procedimento de compra de barracas de terceiros, assim como o aluguel. A licença é intransferível”, ressalta.</p>
<p><!--more--></p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/soteropolitanosdagraca.wordpress.com/32/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/soteropolitanosdagraca.wordpress.com/32/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/soteropolitanosdagraca.wordpress.com/32/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/soteropolitanosdagraca.wordpress.com/32/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/soteropolitanosdagraca.wordpress.com/32/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/soteropolitanosdagraca.wordpress.com/32/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/soteropolitanosdagraca.wordpress.com/32/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/soteropolitanosdagraca.wordpress.com/32/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/soteropolitanosdagraca.wordpress.com/32/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/soteropolitanosdagraca.wordpress.com/32/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/soteropolitanosdagraca.wordpress.com/32/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/soteropolitanosdagraca.wordpress.com/32/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/soteropolitanosdagraca.wordpress.com/32/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/soteropolitanosdagraca.wordpress.com/32/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/soteropolitanosdagraca.wordpress.com/32/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/soteropolitanosdagraca.wordpress.com/32/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=soteropolitanosdagraca.wordpress.com&amp;blog=1555259&amp;post=32&amp;subd=soteropolitanosdagraca&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Simpatia, prosa e água de coco</title>
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		<pubDate>Fri, 31 Aug 2007 03:28:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Soteropolitanos</dc:creator>
				<category><![CDATA[PERFIS]]></category>

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		<description><![CDATA[por Sheila de Andrade Uma mulher trabalhadora, informada e com muita coisa a dizer. Quem for à Reitoria da UFBA, no Canela, pode encontrar ao lado, na Barraca do Coco, Maria José de Jesus. Querida por todos, Lia, como é conhecida, veio de Amargosa há uns 20 anos e assim que chegou a Salvador fez [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=soteropolitanosdagraca.wordpress.com&amp;blog=1555259&amp;post=31&amp;subd=soteropolitanosdagraca&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color:#993300;"><span style="color:#000000;"><img src="http://soteropolitanosdagraca.files.wordpress.com/2007/10/campo-grande.jpg?w=594" alt="campo-grande.jpg" /></p>
<p>por Sheila de Andrade</span></span><span style="color:#993300;"><span style="color:#000000;"></p>
<p align="justify">Uma mulher trabalhadora, informada e com muita coisa a dizer. Quem for à Reitoria da UFBA, no Canela, pode encontrar ao lado, na Barraca do Coco, Maria José de Jesus. Querida por todos, Lia, como é conhecida, veio de Amargosa há uns 20 anos e assim que chegou a Salvador fez uma bonita amizade com Anilton, seu melhor amigo até hoje. Com 42 anos, fã incondicional de Jean Wyllys, solteira, ela prefere ficar só a acompanhada de aproveitadores. “A pessoa ideal ainda não surgiu”, disse.<span id="more-31"></span></p>
<p align="justify">A vinda para Salvador não foi difícil, relata: “Vim morar com uma pessoa que tinha barraca. Tinha trabalho e lugar certo pra morar. Me adaptei rápido e soube fazer amizade”. Morando sozinha numa casa alugada, na Garibaldi, ela faz questão de afirmar que isso é temporário: “Estou trabalhando em cima de conseguir comprar uma”. Atualmente, três dos seus nove irmãos moram em Salvador, outros em Feira e Milagres. Seu pai, casado duas vezes, faleceu há quatro anos, e sua mãe ainda mantém a casa em Amargosa com três filhos.</p>
<p align="justify">Lia faz parte da grande porcentagem da população que assistia a quinta edição do reality show BigBrother. Ela conta que ia para a casa de um amigo que tinha conexão à internet, a convite dele também, para votar na permanência de Jean no jogo: “Às vezes ia dormir 3h da manhã na casa dele votando por telefone e pela internet. A conta veio muito alta”. Após a saída dele do programa, ela passou a acompanhá-lo pelas maiorias das publicações em revistas, inclusive a G Magazine. “Se ele chegar a Salvador e tiver concurso para fãs conhecerem ele, eu gostaria. Gosto dele, acho muito inteligente, o máximo. Aprendi com ele que a pessoa tem que ser simples e mostrar quem é mesmo”, disse.</p>
<p>Desde que chegou a Salvador, Lia não fez outra coisa além de trabalhar. Chega às 7h e sai às 19h ou 20h de segunda a sábado e reserva o domingo para arrumar a casa e comer um churrasco. Já vendeu revistas em outras barracas próximas à Casa d’Itália e ao Hospital Português, mas está há 10 anos vendendo frutas e balas na barraca licenciada ao lado da Reitoria. As frutas, ela compra no posto da Central de Abastecimento de Salvador (CEASA) na Rodovia CIA/Aeroporto, a 13 km do Aeroporto Internacional Deputado Luís Eduardo Magalhães, onde é mais barato. Segundo ela, que se intitula comerciante, a concorrência é amigável e inclusive um deles traz as compras do CEASA para ela, já que não dispõe de carro. Quanto às revistas, acredita que a opção pelas frutas foi melhor: “A revista hoje não tá tão boa quanto já foi, porque tem a internet e não precisa mais comprar. É só acessar <a href="http://www.não-sei-o-quê-mais/"><span style="color:#000000;">www.não-sei-o-quê-mais</span></a><span style="color:#000000;"> e pronto”.</span><span style="color:#000000;"></span><span style="color:#000000;"></p>
<p align="justify">Lia, depois do trabalho, ainda se dirige ao Colégio Estadual Manoel Novaes, no Canela, onde cursa o 2° ano noturno, mas pensa em fazer supletivo. Tudo por incentivo de Anilton, que já tem nível superior, vida estabelecida e avalia cursar Comunicação Social com habilitação em Rádio e Tv. Quando falta na escola, geralmente cansada do trabalho, os professores passam perguntando o porquê da ausência e as colegas também. Já tendo recomeçado a estudar diversas vezes, ela admite não gostar, mas aconselha as pessoas a fazê-lo. “Admiro quem entra na faculdade, se forma cedo e vai trabalhar. Se o nível superior não vale, o que vale mais? Coitado de quem não tem nada”, disse, com a barraca em plena atividade.</p>
<p align="justify">Aliás, freguesia é o que não falta na barraca de Lia, que até linha telefônica fixa tem: “Conheço todo mundo e todo mundo me conhece. Trabalho com o público, tenho algo a falar, tenho conteúdo, sei dialogar. Eles puxam papo e eu também e aí já foi”, finalizou rindo. À clientela fixa, Lia atribui à qualidade da sua mercadoria, mais a sua alegria e boa conversa. “Esse aipim de Lia é falado, ninguém volta pra reclamar. É o aipim cacau: bota no fogo e vira mingau”, disse Neumar Celestino, 26 anos, operadora de caixa que conhece a comerciante há dois anos. Segundo Lia, o segredo de conquistar uma boa freguesia é saber tratar bem: “Se eu chego aqui e eu trato bem, você volta. Algumas pessoas que vêm de fora, depois de um tempo, voltam pra comprar aqui. Nunca discuti com ninguém”.</p>
<p align="justify">Lia informa aos transeuntes quais os ônibus que passam e em que ponto, além de localização de clínicas, quando a perguntam. “Sabendo eu informo e só gosto de informar sabendo”, disse enquanto orientava uma moça e cumprimentava outro amigo. Ela conhece muita gente e isso fica claro durante a entrevista que interrompe para conversar com amigos, conhecidos e até desconhecidos, criando um clima de amizade de anos. Esse modo de tratar traz benefícios para ela, que adquiriu respeito inclusive com os meninos da rua. “Pára um grupo de 10 e falam ‘não pegue nada da tia porque ela é moral, né, tia?’ Aí eu dou uma fruta, mas não todo dia pra não viciar. Se a gente não der, eles podem ficar revoltados e pegar as coisas sem eu ver”, disse enquanto um carro parava para comprar água de coco.</p>
<p align="justify">A barraca já estava ali quando ela comprou, com a ajuda de amigos. Lia paga anualmente cerca de R$ 300 pela licença para trabalhar e ainda afirma que “dá tranqüilo”. Segundo ela, o fluxo de gente é bom devido às escolas, clínicas e ponto de ônibus, mas o movimento cai quando tem paralisação e greve. O grande problema dela é a desorganização: “Sempre deixo tudo, a conta da barraca, telefone, cartão de crédito, para a última hora”. Lia ainda ensina como escolher o coco enfiando o facão: “O coco doce é o que tem bastante massa, o que tem pouca é menos doce. Quando o coco está verde é ótimo para o organismo, já quando tem aquela camada grossa, tá com muito colesterol”, ensinou.</p>
<p align="justify">Até chegar a essa barraquinha no Canela, Lia batalhou muito, inclusive sofreu com as ações dos fiscais da Secretaria Municipal de Serviços Públicos (Sesp). “Eu tinha uma barraca de cachorro-quente na época de Lídice e vendia na porta do colégio Odorico Tavares. De repente chegou o carro do rapa, desceram e levaram meu carro. Chorei bastante. Eu estava trabalhando, não tinha emprego”, contou. Mas esse não foi um caso isolado. Já com a barraca, ela estava fazendo um bico vendendo cerveja, num isopor em cima de um carro de mão, na Lavagem do Bomfim quando os fiscais levaram tudo. Ela chorou novamente e voltou para casa decidida a não fazer mais isso.</p>
<p align="justify">Lia acha errado vender no meio do caminho, atrapalhando as pessoas. Mas quando estão fora do meio fio, fazendo isso apenas para sobreviver, acha uma injustiça tomarem. “Tem gente que compra fiado pra pagar depois. Infelizmente não tem mais trabalho, a única solução que têm é vender alguma coisa na rua como ambulante”, disse chateada. Ela não aceita o que os fiscais da Sesp fazem, porque ao invés de organizar, acabam provocando bagunça. “Depois de João Henrique, eles estão mais humanos. Antes tinha um caminhão enorme que levava tudo”, afirmou.</p>
<p align="justify">Maria de Jesus está aí para comprovar que os comerciantes têm muita coisa para falar e sabem como fazê-lo. Lia mescla fazer a vontade do cliente com seu toque de informação. Seu maior receio é que um dia sua barraca seja retirada do local, como acontecia na época do governo de Lídice da Mata. Informando, conversando e vendendo, Lia segue sua vida com um sonho: “Quero fazer um curso de português para me expressar melhor. Lido com pessoas que têm níveis diferentes e português pra mim é fundamental. Depois vem matemática, porque a gente trabalha no comércio, né?”.<br />
(junho de 2005)</p>
<p></span></span></span></p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/soteropolitanosdagraca.wordpress.com/31/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/soteropolitanosdagraca.wordpress.com/31/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/soteropolitanosdagraca.wordpress.com/31/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/soteropolitanosdagraca.wordpress.com/31/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/soteropolitanosdagraca.wordpress.com/31/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/soteropolitanosdagraca.wordpress.com/31/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/soteropolitanosdagraca.wordpress.com/31/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/soteropolitanosdagraca.wordpress.com/31/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/soteropolitanosdagraca.wordpress.com/31/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/soteropolitanosdagraca.wordpress.com/31/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/soteropolitanosdagraca.wordpress.com/31/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/soteropolitanosdagraca.wordpress.com/31/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/soteropolitanosdagraca.wordpress.com/31/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/soteropolitanosdagraca.wordpress.com/31/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/soteropolitanosdagraca.wordpress.com/31/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/soteropolitanosdagraca.wordpress.com/31/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=soteropolitanosdagraca.wordpress.com&amp;blog=1555259&amp;post=31&amp;subd=soteropolitanosdagraca&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Moradias animadas</title>
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		<pubDate>Fri, 31 Aug 2007 03:27:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Soteropolitanos</dc:creator>
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		<description><![CDATA[por Jô Moraes Um jovem do interior do estado, ao deixar a casa de seus pais em busca de um futuro promissor na capital, encontra algumas dificuldades pela frente. A solidão, o aperto financeiro, o desafio de viver na cidade grande são situações vividas pelos universitários de baixa renda ao chegar a Salvador. Entretanto, quando [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=soteropolitanosdagraca.wordpress.com&amp;blog=1555259&amp;post=30&amp;subd=soteropolitanosdagraca&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify"><span style="color:#000000;">por Jô Moraes</span></p>
<p align="justify"><span style="color:#000000;"></span></p>
<p align="right"><span style="color:#000000;"><span style="color:#000000;"><img align="left" src="http://soteropolitanosdagraca.files.wordpress.com/2007/08/ladeira.jpg?w=594" alt="ladeira.jpg" /></span>Um jovem do interior do estado, ao deixar a casa de seus pais em busca de um futuro promissor na capital, encontra algumas dificuldades pela frente. A solidão, o aperto financeiro, o desafio de viver na cidade grande são situações vividas pelos universitários de baixa renda ao chegar a Salvador. Entretanto, quando conseguem uma suada vaga numa das três Residências Universitárias mantidas pela Universidade Federal da Bahia <span style="color:#000000;"><a href="http://soteropolitanosdagraca.files.wordpress.com/2007/08/ladeira.jpg" title="ladeira.jpg"></a></span>(UFBA), além das matérias das aulas, os estudantes aprendem a viver em coletividade, a reivindicar seus direitos e a exercitar a cidadania.<span id="more-30"></span></span></p>
<p><span style="color:#000000;"></span><span style="color:#000000;"></span><span style="color:#000000;"></p>
<p align="justify">Eneida Santana, 21 anos, estudante de Biblioteconomia, natural de Feira de Santana, conta que até conseguir uma vaga na R2 (Residência 2) viveu muita ansiedade. “Ou eu conseguia morar numa dessas casas ou desistia do curso. Não tinha dinheiro para me manter aqui em Salvador, tendo que pagar aluguel”, recorda. Eneida diz que, quando chegou à cidade, passou por uma confusão de emoções, tudo era novidade, inclusive viver numa mesma casa com tantas pessoas desconhecidas.</p>
<p align="justify">Na R1, que fica no Corredor da Vitória, moram 98 rapazes. Das três é a única exclusivamente masculina, possui 21 quartos e seis casarios, quartos instalados fora do prédio principal. Seus moradores declaram não conhecer a todos que ali vivem. “Como são muitos, os que têm mais afinidades formam clãs”, diz Éverson Rabelo, 23 anos, aluno do curso de Engenharia Mecânica. Na R2, localizada no Largo da Vitória, vivem 22 homens e 12 mulheres e na R3, no Canela, residem 12 homens e 80 mulheres.</p>
<p align="justify">A UFBA oferece aos seus alunos menos favorecidos economicamente serviços como residências universitárias, restaurante e bolsa alimentação. A Superintendência Estudantil (SET) da Pró-Reitoria de Graduação é o setor responsável por essa assistência aos universitários. Diana Tourinho, superintendente da SET e coordenadora das residências, acredita que a convivência entre pessoas diferentes e de origens distintas não é nada fácil. Por isso existe uma estrutura administrativa de co-gestão, onde os estudantes são os responsáveis pelas casas. Cada uma tem suas comissões: de representação, de alimentação, de hospedagem, de saúde, de informática, de manutenção e de cultura e comunicação. Essa forma de administração vem agradando os residentes, porque eles têm uma maior autonomia para gerir esses domicílios.</p>
<p align="justify">As regras de convivência são definidas em assembléias que ocorrem mensalmente. Os moradores de cada quarto também determinam suas normas. A quantidade de pessoas por quarto pode variar entre seis a 10 estudantes. Tudo é pensado com o objetivo de manter uma convivência amistosa e pacífica. Mas se alguém resolve desobedecer às leis internas, as punições são severas. “O residen pode ser advertido até duas vezes, suspenso ou, se a falta for muito grave, a pena é a expulsão”, declara Eneida que faz parte da comissão de representação da R2.</p>
<p align="justify">A Universidade Federal não dispõe de uma verba específica para fazer os serviços de manutenção necessários nas residências. As três estão instaladas em casarões antigos datados do século XIX. As paredes estão mofadas, a pintura com as cores desmaiadas, o piso de madeira sem brilho, as portas e janelas danificadas pelo cupim. O mobiliário é improvisado, o sofá da sala, assim como as mesas, cadeiras e armários já foram móveis que fizeram parte dos setores administrativos da UFBA há muito tempo. Agora, depois que viraram sucatas, passam ser utilizadas nas residências. A televisão é única, os telefones disponíveis são os públicos e a linha fixa só serve para receber chamadas. As residências são guarnecidas, 24h, por seguranças fornecidos pela UFBA.</p>
<p align="justify">Esses casarões ainda guardam vestígios de seu passado. Em alguns cantos, podem-se encontrar, quase esquecidos, esculturas, bustos, obras de arte que um dia enfeitaram os cômodos das residências de ricos comerciantes. Isso porque, no final do século XIX, o Corredor da Vitória era o local preferido dos empresários baianos para morar. E, ainda hoje, essas casas são alvos de especulações imobiliárias. Elas possuem valor histórico, estão localizadas em bairros da cidade considerados nobres e em terrenos cobiçados por empresas da construção civil interessados em erguerem prédios de luxo.</p>
<p align="justify"><strong>Festas</strong><br />
Mas nem tudo é problema nesses alojamentos estudantis. Cada residência tem suas festas anuais. Esses eventos divertem os moradores das casas, permitem uma melhor integração entre eles e outros universitários e trazem lucros. Com o dinheiro arrecadado com a venda dos ingressos, compram-se liquidificadores, televisão, aparelho de som, revistas e assinam jornais. A R1 promove o lual (festa ao ar livre), a R2 a lavagem e a R3 o halloween (festa do dia das bruxas). Todas as casas fazem o forró, entre o final de maio e início de junho. “Nossos forrós acontecem nas próprias casas, as pessoas de fora adoram, já estão nos ligando querendo saber quando vão ocorrer”, comenta Eneida.</p>
<p align="justify">Além de baianos, essas casas recebem também pessoas de outros estados. Patrícia Dutra, 21, é um exemplo disso. Ela é da cidade mineira de Jacinto e está aqui há 1 ano, estudando Medicina Veterinária. Sentada à mesa, num canto do corredor, em meio a livros de anatomia, Patrícia se recorda de quando chegou a Salvador: “Já estava acostumada a viver em comunidade, mas aqui tem mais pessoas. Fui muito bem recebida. O baiano é caloroso e acolhedor”. A mineira considera que “ser permeável e respeitar o espaço do outro” são as maiores dicas para se conviver num ambiente coletivo.</p>
<p align="justify"><strong>Criativos<br />
</strong>A criatividade dos residentes também é um ponto alto nesses locais. As R1 e R3 nomeiam seus quartos através de números. Já na R2, cada quarto tem um nome e uma história. Existem denominações como Zoológico, Senzala, Berçário, CUG (Central Única das Gatas), UTI. Não se sabe ao certo os motivos desses nomes, uma vez que estão em vigor há anos, mas Eneida aposta numa explicação: “Dizem que a UTI tem esse nome porque nesse quarto sempre tinha alguém doente”.</p>
<p align="justify">Os quartos são os locais que têm mais vida e revelam traços pessoais de seus moradores. Um quadro na parede, uma toalhinha em cima da mesa, os lençóis que forram as camas, um rabisco ou uma figura na porta identificam um pouco da personalidade de cada um de seus residentes. As áreas de circulação são frias e impessoais, como corredores, cozinha, varanda, salas e servem como ponto de encontros, onde os estudantes conversam e trocam idéias. Na R2, alguns buscam o isolamento para concentrar-se nos estudos ou nos quartos, ou na sala de leitura. Essa sala é ampla, pintada de branco, com um grande quadro de giz em uma das paredes, mesas e cadeiras escolares completam o ambiente. Esse local de estudos fica nos fundos da casa, próximo à lavanderia. Vez em quando, alguém surge para pegar uma toalha ou alguma roupa que secava no varal.</p>
<p align="justify">E para conseguir um pouco de privacidade, os residentes lançam mão de certas estratégias. “As camas de baixo dos beliches são as preferidas, porque dá para armar a cabaninha. Usa-se um lençol para fechar o espaço ao redor da cama. Assim, pode-se estudar com uma lanterna quando a luz for apagada, por exemplo”, ensina Vanessa Dias, 21 anos, aluna de Secretariado.</p>
<p align="justify"><strong>Política</strong><br />
Nem só de festa e estudos vivem esses universitários. A prática da política é cada vez mais exercida por elas. As residências estudantis de todo o Brasil se relacionam e estão sempre trocando idéias e experiências, na busca da resolução de problemas comuns. A Secretaria Nacional de Casas de Estudantes organiza os encontros anuais. Em 2005, essa reunião ocorreu em Curitiba. Também existem encontros regionais com estudantes do Norte e Nordeste do país.</p>
<p align="justify">O tempo de permanência do estudante na casa corresponde à duração de seu curso. Depois de formado, a SET dá um prazo de três meses para que ele deixe a residência. Nem sempre se tem para onde ir e o retorno à casa dos pais, às vezes, é a solução mais viável. Essa ainda não é a preocupação de Jaime Pereira Júnior, 19 anos, nascido em Cruz das Almas. Ainda tímido e pouco à vontade, o calouro, como é chamado pelos companheiros da R2, só tem um mês como residente. “Meu curso, Geologia, dura 4 anos e meio, num semestre, só dá para pegar, no máximo, três matérias. Por isso tenho muito tempo ainda aqui”, diz o estudante, que espera, com o tempo, fazer novos amigos e conquistar seu espaço na casa.<br />
(junho de 2005)</p>
<p></span></p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/soteropolitanosdagraca.wordpress.com/30/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/soteropolitanosdagraca.wordpress.com/30/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/soteropolitanosdagraca.wordpress.com/30/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/soteropolitanosdagraca.wordpress.com/30/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/soteropolitanosdagraca.wordpress.com/30/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/soteropolitanosdagraca.wordpress.com/30/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/soteropolitanosdagraca.wordpress.com/30/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/soteropolitanosdagraca.wordpress.com/30/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/soteropolitanosdagraca.wordpress.com/30/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/soteropolitanosdagraca.wordpress.com/30/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/soteropolitanosdagraca.wordpress.com/30/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/soteropolitanosdagraca.wordpress.com/30/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/soteropolitanosdagraca.wordpress.com/30/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/soteropolitanosdagraca.wordpress.com/30/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/soteropolitanosdagraca.wordpress.com/30/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/soteropolitanosdagraca.wordpress.com/30/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=soteropolitanosdagraca.wordpress.com&amp;blog=1555259&amp;post=30&amp;subd=soteropolitanosdagraca&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Museus da Vitória</title>
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		<pubDate>Wed, 18 Apr 2007 12:40:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Soteropolitanos</dc:creator>
				<category><![CDATA[CULTURA]]></category>

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		<description><![CDATA[Jô Moraes No Corredor da Vitória, em meio ao bucolismo das sombras das antigas árvores e da modernidade dos grandes edifícios residenciais, encontram-se três museus que resgatam a história, a cultura e a ciência. O Museu de Arte da Bahia (MAB), o Museu Geológico do Estado e o Carlos Costa Pinto oferecem à população baiana [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=soteropolitanosdagraca.wordpress.com&amp;blog=1555259&amp;post=9&amp;subd=soteropolitanosdagraca&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color:#000000;"><img style="width:319px;height:481px;" src="http://soteropolitanosdagraca.files.wordpress.com/2007/08/museu.jpg?w=307&#038;h=481" alt="museu.jpg" width="307" height="481" /></span></p>
<p><span style="color:#000000;"> </span></p>
<p><span style="color:#000000;">Jô Moraes</span></p>
<p><span style="color:#000000;"> </span></p>
<p><span style="color:#000000;">No Corredor da Vitória, em meio ao bucolismo das sombras das antigas árvores e da modernidade dos grandes edifícios residenciais, encontram-se três museus que resgatam a história, a cultura e a ciência. O Museu de Arte da Bahia (MAB), o Museu Geológico do Estado e o Carlos Costa Pinto oferecem à população baiana e aos turistas a beleza e o valor histórico de seus acervos. Entretanto, além da função cultural, esses museus guardam peculiaridades. A grandiosidade das instalações, atividades educacionais e o café, que se tornou ponto de encontro, tornam esses locais mais atraentes.<span id="more-9"></span></span></p>
<p><span style="color:#000000;"> </span><span style="color:#000000;"> </span></p>
<p>Museu é uma instituição que tem como função a catalogação, documentação e preservação de objetos antigos, segundo o museólogo Boby Moraes. Ele afirma que de acordo com a especificidade do seu acervo, os museus podem ser de artes, científicos ou históricos: “Dentro dessa classificação, podemos dizer que o Carlos Costa Pinto é histórico, o MAB é aquele que está voltado para as expressões artísticas e o Geológico segue a linha científica”.</p>
<p>Fundado em 1918, o MAB é o museu mais antigo da Bahia. Ele seguiu uma trajetória em várias sedes até chegar ao bairro da Vitória. Fernando Paixão, administrador de empresas e pesquisador da história da educação da Bahia, conta que esse museu foi instalado no Solar Pacífico Pereira de 1931 a 1946, no local onde hoje está o Teatro Castro Alves. Ele continua dizendo que depois o MAB foi transferido para a sede da atual Academia de Letras, o Solar Calmon e, em 1982, foi para o Cerqueira Lima ou Palácio da Vitória.</p>
<p>O Solar Cerqueira Lima já dá exemplos de como a arte se manifesta. A suntuosa porta de madeira entalhada com vários painéis que formam máscaras de baixo relevo já prepara o visitante para o encontro com a expressão da arte baiana e internacional. Ao subir os degraus recobertos por um tapete vermelho, pode-se apreciar um acervo composto por pinturas de baianos e estrangeiros datadas dos séculos XVIII e XIX, peças de mobiliário de antigas famílias do estado, porcelanas orientais e européias, cristais e pratarias.</p>
<p>Esse Museu também reserva algumas curiosidades. O Palácio da Vitória já foi sede da Secretaria da Educação e Saúde do Estado da Bahia, no início do século XX. Entre o fim da década de 70 e início de 80, o Solar Cerqueira Lima foi muito freqüentado, mas não por um público interessado por suas obras de arte e decoração. Os freqüentadores eram funcionários públicos das Secretarias da Educação e da Saúde que, mensalmente, iam receber seus salários, num anexo localizado atrás do solar. “Todo mês, eu ia à Boca do Cofre receber dinheiro, enfrentava filas imensas, nunca fiquei sabendo que naquele prédio antigo funcionava um museu”, diz Fernando Teles, 42 anos.</p>
<p><strong>Aula prática</strong><br />
Mais próximo ao Campo Grande, encontra-se o Museu Geológico do Estado da Bahia que é mantido pela Secretaria da Indústria, Comércio e Mineração. Ele funciona num casarão antigo cercado por um muro com grades de ferro. O jardim com plantas altas compõe um cenário que reporta aos ideais do ambientalismo, que defendem a preservação e o respeito à natureza. Seu acervo contém minerais, minerais radioativos, fósseis, rochas ornamentais e cristais.</p>
<p>De acordo com o Coordenador de Atendimento e Pesquisa, Jorge Nunes, a política dessa casa está muito voltada para a linha educativa: “Atendemos a escolas públicas e particulares através de visitadas monitoradas, sempre preocupados em oferecer novas atrações para os estudantes. Nessas visitas, apresentamos oficinas, palestras, seminários e exibição de filmes”. Nunes informa que universitários de vários cursos como geografia, geologia, biologia e museologia, por exemplo, freqüentam regularmente esse museu para realizar atividades extraclasses.</p>
<p>Professor de geografia, Paulo Passos é um freqüentador assíduo do Museu Geológico. Ele garante que seus alunos quando têm contato com o acervo desse museu aprendem muito mais a sua matéria. “Primeiro eu preparo uma aula teórica, antes da visita. Ao chegarem lá, os alunos fazem uma relação entre a teoria e a prática, saem do abstrato e partem para o concreto”, explica o professor.<br />
<strong><br />
Ponto de encontro</strong><br />
Com uma programação de eventos que inclui cursos, palestras e seminários, é o Balangandã Café que mais chama a atenção do visitante do Museu Carlos Costa Pinto. Num ambiente agradável e tranqüilo, as pessoas aproveitam para conversar e relaxar, no final da tarde. “Adoro tomar um cafezinho com torta de chocolate aqui. Sempre que eu posso, marco com uma amigas”, confessa Maria da Conceição Queiroz, 58 anos, aposentada.</p>
<p>É fácil chegar a esse museu. Ele está localizado bem próximo ao Largo da Vitória. Funciona numa casa de estilo colonial americano construída em 1958. Ao ultrapassar os portões e entrar no jardim, cuidadosamente tratado, com piscinas ornamentais e fontes rodeadas por bancos, não se tem a impressão de estar no Brasil do terceiro milênio. O local sugere uma moradia norte-americana do início do século passado, conforme seu projeto original.</p>
<p>Essa casa foi projetada para servir como residência da família do empresário Carlos Costa Pinto, que faleceu em 1946, aos 60 anos, mas nunca foi habitada. O acervo foi doado por sua viúva, a senhora Margarida de Carvalho Costa Pinto. Estão expostos à visitação cristais, desenhos, esculturas, gravuras, mobiliários, objetos de ouro e prata, porcelanas e pinturas.<br />
(junho de 2005)</p>
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