Museus da Vitória

Posted on 18/04/2007

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Jô Moraes

No Corredor da Vitória, em meio ao bucolismo das sombras das antigas árvores e da modernidade dos grandes edifícios residenciais, encontram-se três museus que resgatam a história, a cultura e a ciência. O Museu de Arte da Bahia (MAB), o Museu Geológico do Estado e o Carlos Costa Pinto oferecem à população baiana e aos turistas a beleza e o valor histórico de seus acervos. Entretanto, além da função cultural, esses museus guardam peculiaridades. A grandiosidade das instalações, atividades educacionais e o café, que se tornou ponto de encontro, tornam esses locais mais atraentes.

Museu é uma instituição que tem como função a catalogação, documentação e preservação de objetos antigos, segundo o museólogo Boby Moraes. Ele afirma que de acordo com a especificidade do seu acervo, os museus podem ser de artes, científicos ou históricos: “Dentro dessa classificação, podemos dizer que o Carlos Costa Pinto é histórico, o MAB é aquele que está voltado para as expressões artísticas e o Geológico segue a linha científica”.

Fundado em 1918, o MAB é o museu mais antigo da Bahia. Ele seguiu uma trajetória em várias sedes até chegar ao bairro da Vitória. Fernando Paixão, administrador de empresas e pesquisador da história da educação da Bahia, conta que esse museu foi instalado no Solar Pacífico Pereira de 1931 a 1946, no local onde hoje está o Teatro Castro Alves. Ele continua dizendo que depois o MAB foi transferido para a sede da atual Academia de Letras, o Solar Calmon e, em 1982, foi para o Cerqueira Lima ou Palácio da Vitória.

O Solar Cerqueira Lima já dá exemplos de como a arte se manifesta. A suntuosa porta de madeira entalhada com vários painéis que formam máscaras de baixo relevo já prepara o visitante para o encontro com a expressão da arte baiana e internacional. Ao subir os degraus recobertos por um tapete vermelho, pode-se apreciar um acervo composto por pinturas de baianos e estrangeiros datadas dos séculos XVIII e XIX, peças de mobiliário de antigas famílias do estado, porcelanas orientais e européias, cristais e pratarias.

Esse Museu também reserva algumas curiosidades. O Palácio da Vitória já foi sede da Secretaria da Educação e Saúde do Estado da Bahia, no início do século XX. Entre o fim da década de 70 e início de 80, o Solar Cerqueira Lima foi muito freqüentado, mas não por um público interessado por suas obras de arte e decoração. Os freqüentadores eram funcionários públicos das Secretarias da Educação e da Saúde que, mensalmente, iam receber seus salários, num anexo localizado atrás do solar. “Todo mês, eu ia à Boca do Cofre receber dinheiro, enfrentava filas imensas, nunca fiquei sabendo que naquele prédio antigo funcionava um museu”, diz Fernando Teles, 42 anos.

Aula prática
Mais próximo ao Campo Grande, encontra-se o Museu Geológico do Estado da Bahia que é mantido pela Secretaria da Indústria, Comércio e Mineração. Ele funciona num casarão antigo cercado por um muro com grades de ferro. O jardim com plantas altas compõe um cenário que reporta aos ideais do ambientalismo, que defendem a preservação e o respeito à natureza. Seu acervo contém minerais, minerais radioativos, fósseis, rochas ornamentais e cristais.

De acordo com o Coordenador de Atendimento e Pesquisa, Jorge Nunes, a política dessa casa está muito voltada para a linha educativa: “Atendemos a escolas públicas e particulares através de visitadas monitoradas, sempre preocupados em oferecer novas atrações para os estudantes. Nessas visitas, apresentamos oficinas, palestras, seminários e exibição de filmes”. Nunes informa que universitários de vários cursos como geografia, geologia, biologia e museologia, por exemplo, freqüentam regularmente esse museu para realizar atividades extraclasses.

Professor de geografia, Paulo Passos é um freqüentador assíduo do Museu Geológico. Ele garante que seus alunos quando têm contato com o acervo desse museu aprendem muito mais a sua matéria. “Primeiro eu preparo uma aula teórica, antes da visita. Ao chegarem lá, os alunos fazem uma relação entre a teoria e a prática, saem do abstrato e partem para o concreto”, explica o professor.

Ponto de encontro

Com uma programação de eventos que inclui cursos, palestras e seminários, é o Balangandã Café que mais chama a atenção do visitante do Museu Carlos Costa Pinto. Num ambiente agradável e tranqüilo, as pessoas aproveitam para conversar e relaxar, no final da tarde. “Adoro tomar um cafezinho com torta de chocolate aqui. Sempre que eu posso, marco com uma amigas”, confessa Maria da Conceição Queiroz, 58 anos, aposentada.

É fácil chegar a esse museu. Ele está localizado bem próximo ao Largo da Vitória. Funciona numa casa de estilo colonial americano construída em 1958. Ao ultrapassar os portões e entrar no jardim, cuidadosamente tratado, com piscinas ornamentais e fontes rodeadas por bancos, não se tem a impressão de estar no Brasil do terceiro milênio. O local sugere uma moradia norte-americana do início do século passado, conforme seu projeto original.

Essa casa foi projetada para servir como residência da família do empresário Carlos Costa Pinto, que faleceu em 1946, aos 60 anos, mas nunca foi habitada. O acervo foi doado por sua viúva, a senhora Margarida de Carvalho Costa Pinto. Estão expostos à visitação cristais, desenhos, esculturas, gravuras, mobiliários, objetos de ouro e prata, porcelanas e pinturas.
(junho de 2005)

 

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Posted in: CULTURA